Michel Temer minimiza dissidências no PMDB

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BRASÍLIA – Os peemedebistas contrários à reeleição da presidente Dilma Rousseff chegaram cedo à convenção nacional do PMDB, aberta às 9h desta terça-feira, e foram vaiados ao discursar contra a aliança com o PT. O partido decide hoje se mantém nas eleições deste ano a aliança em torno da reeleição de Dilma. Ao chegar à convenção, o vice-presidente da República, Michel Temer, minimizou as dissidências:

– Isso é comum no PMDB. Se a gente não se acostumar com isso depois de 40 anos…

Quanto ao resultado final, ele foi mais modesto que o presidente do partido, senador Valdir Raupp (PMDB-RO).

– Se tiver 51%, está bom – disse Temer.

Em uma previsão otimista, Raupp afirmou que a aliança com o PT será aprovada na convenção com 80% a 90% dos votos.

– Queríamos que o PMDB discutisse seu futuro de forma independente, que estivesse aqui lançando candidatura própria. Não estamos aqui votando contra companheiro nenhum, respeitamos Michel Temer. Trata-se de voto contra o PT, que não merece nosso respeito porque não nos respeita – disse Picciani.

O deputado Eliseu Padilha (PMDB-RS), que presidia os trabalhos, pediu respeito, mas Picciani minimizou o ocorrido.

– Não me incomoda. Ficar a reboque do PT é que não dá.

Os dissidentes distribuíram dois documentos críticos ao governo federal na convenção. “A Petrobras foi totalmente aparelhada. Deixou de ser um orgulho nacional para se transformar em um balcão de negócios destinado a tenebrosas transações. Seu valor de mercado caiu pela metade e sua dívida duplicou nos últimos três anos”, diz um dos documentos, apesar de o PMDB ter indicado diretores da Petrobras nos governos Lula e Dilma.

Em outro manifesto, os dissidentes reclamam de os ministros do PMDB não terem poder de decisão. “Por que sermos corresponsáveis pela volta da inflação, da carestia, pela falência da saúde, da segurança e da saúde?”.

VOTO SECRETO

Preocupados com a identificação dos votos, que são secretos, os dissidentes reclamaram do fato de as oito urnas serem divididas por regiões geográficas. A oposição à aliança com o PT se concentra nos estados do Rio, Rio Grande do Sul, Pernambuco, Acre, Bahia e Ceará. O deputado Raul Henry (PMDB-PE) pediu que os votos sejam misturados na hora da apuração. Os oposicionistas apostam em traições na votação secreta.

– O PMDB tem que manter suas tradições democráticas – discursou Henry.

O presidente do partido concordou em retirar os números que identificavam as urnas e instituiu uma comissão para avaliar a questão de ordem levantada por Henry a respeito da apuração.

Segundo Raupp, os governistas conseguiram reverter dissidências em Goiás e Mato Grosso do Sul, onde acredita que terão a maioria dos votos. Os problemas, ainda de acordo com Raupp, estão concentrados no Rio, Rio Grande do Sul e Pernambuco. Apesar de divergências com o PT no Ceará e na Bahia, ele acredita que terá a maioria dos votos nesses estados.

Questionado sobre a quantidade de votos que o diretório do Rio dará a favor do apoio à reeleição de Dilma, o ministro Moreira Franco (Aviação Civil) respondeu:

– O suficiente para ganhar. Os dissidentes do Rio afirmam que têm 80% dos votos do diretório regional.

Fonte: O Globo

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