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nov 11

Acidentes: Celular aumenta risco de morte ao volante

Em 2012, um terço dos acidentes fatais registrados no Distrito Federal aconteceu por causa de distrações dos motoristas. Tio de Andréia Matos Lima, morta ao capotar o veículo na Avenida das Nações, alerta para o perigo de trocar mensagem

1415707549“Não mudamos o mundo mandando uma mensagem, mas podemos preservar a nossa vida e a de outros” Ricardo Espíndola, tio de Andreia Lima.

Uma família em choque, duas crianças órfãs e uma vida perdida abruptamente em um acidente de trânsito. Parentes da psicóloga Andréia Matos Lima, 33 anos, ainda estão estarrecidos com a morte dela, há exatos 15 dias. Para eles, ficou ainda mais difícil aceitar a tragédia quando descobriram a suposta causa do acidente: uma troca de mensagens por meio do aplicativo WhatsApp, enquanto ela voltava para casa. A jovem perdeu o controle do veículo, subiu no meio-fio, invadiu o canteiro central, bateu em três árvores e parou cerca de 500m depois. Os bombeiros tentaram reanimá-la por cerca de 10 minutos…

O caso reforça a tese de que o uso do celular ao volante é tida como a principal causa de distração no tráfego. Nos Estados Unidos, a infração tem tratamento de epidemia. No Brasil, no entanto, os estudos sobre o uso do aparelho pelo condutor com o carro em movimento ainda são pontuais. O primeiro levantamento do gênero no DF apontou que, dos 393 acidentes fatais ocorridos em 2012, 117 foram provocados por condutores distraídos, segundo o Departamento de Trânsito (Detran). O número de mortos pode ser maior porque um acidente pode ter mais de uma vítima.

O professor da Universidade de Brasília (UnB) Hartmut Gunther afirma que o brasileiro tem a necessidade de se comunicar o tempo todo e já sai da garagem falando ao celular. Especialista em comportamento no trânsito, ele defende que a multa para quem dirige e usa o telefone deve ser tão pesada quanto a aplicada para o motorista alcoolizado, além de haver mais fiscalização. “No caso dos jovens, a situação é pior. O sentimento de liberdade e de invulnerabilidade dos mais novos é um obstáculo para a conscientização. Pensam que nada vai acontecer com eles.”

O diretor de Comunicação e do Departamento de Medicina de Tráfego Ocupacional da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet), Dirceu Rodrigues Alves Júnior, é pessimista quanto ao futuro. “A situação vai piorar e muito. O governo brasileiro não tem qualquer planejamento para conter essa doença epidêmica (as mortes no trânsito). As campanhas não têm continuidade, a formação dos condutores é muito ruim e não se cumpre a determinação de ensino do trânsito nas escolas, dos 5 aos 18 anos”, cita. Segundo ele, a faixa etária de 18 a 34 anos é a que mais usa o celular e, por isso, o governo precisa fazer campanhas específicas para mudar o comportamento desse público.

Reforço na fiscalização
O tio da psicóloga Andréia, o pastor da Igreja Batista Central Ricardo Espíndola, decidiu falar sobre a morte da sobrinha como forma de alertar a sociedade. Ele disse que a família soube que ela estava ao celular ainda no local do acidente, registrado na Avenida das Nações. Mais tarde, os familiares descobriram que ela tratava de assuntos relacionados ao caçula. “A gente nunca imagina que o risco é tão real. Cansei de usar o WhatsApp. Não vale a pena. Não mudamos o mundo mandando uma mensagem, mas podemos preservar a nossa vida e a de outros”, afirma.

Na casa da família Fonte Boa, pai, mãe e os dois filhos estão acostumados a usar o celular diariamente para falar e mandar mensagens. Mas, ao volante, os administradores de empresas Izabel, 53 anos, e o marido, Ivan, 52, se comportam de maneira diferente. A mulher guarda o aparelho na bolsa e a coloca no banco traseiro. “Pode tocar à vontade, só vejo quando parar de dirigir”, garante. Ivan admite não ter a mesma disciplina. Tem dois aparelhos e costuma usá-los. “Quando é da família, até leio, mas sei que posso responder depois. Para mandar mensagem, paro o carro. Até porque demoro para digitar.” O filho André, 18, ainda não é habilitado, mas acredita que não usará o celular ao volante.

O militar Júnior Damasceno Silva, 18 anos, passou pelo processo teórico e, agora, faz aulas práticas de direção. As lições sobre os risco do celular, porém, ele aprendeu com o avô. “Ele sempre disse para eu não falar no telefone quando estiver ao volante porque é muito perigoso. Nas aulas, eu deixo no silencioso”, diz.

Levantamento do Centro Nacional de Estatísticas e Análise, da Administração de Segurança de Tráfego nas Autoestradas Nacionais, dos EUA, revelou que 78% dos adolescentes e dos jovens adultos disseram ter lido uma mensagem enquanto dirigiam e 71% admitiram ter escrito e enviado um texto ao volante.

Desde o segundo semestre deste ano, o Detran investe em campanhas para alertar sobre os riscos dos acidentes fatais, além de fiscalizações com foco no celular. “Essa é uma infração difícil de ser constatada. O condutor, geralmente, esconde o aparelho. A gente percebe que a pessoa está no celular porque ela fica olhando para baixo”, afirma o diretor-geral da autarquia, Rômulo Félix.

Fonte: Correio Braziliense – Por ADRIANA BERNARDES. Breno Fortes/CB/D.A Press

Fonte: Edson Sombra

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