LULA FICARÁ COM CONTROLE DA ÁREA ECONÔMICA SE DILMA GANHAR A REELEIÇÃO.

Lula-e-Dilma-19-08Uma conversa recentíssima entre Lula e Dilma, em São Paulo, entre quatro paredes – suas únicas testemunhas – teve ingredientes inimagináveis de crueza. Jogaram ali toda a roupa suja acumulada para lavar e enxaguar. E depois passaram a ferro.
Aos pouquíssimos que ouviram essa versão, a conversa soa como absurda e inacreditável por sua rude essência.
É importante ressaltar esse detalhe: foi a pedido dela, fato que mudou a psicologia do encontro. Lula sentiu-se à vontade, mais que nunca como mestre do universo.
O colóquio foi longo, entremeado com muitas frases cortantes. Lula e Dilma puseram na mesa todos os escondidos ressentimentos e queixas.
Ela, humilde, admitia diante do criador que estava em dificuldades extremadas de sustentação de sua candidatura e poderia vir a perder a reeleição.
Nada parecido com aquela Dilma de um ano e pouco atrás, antes das manifestações de rua, quando pairava sobre os seus 75% de aprovação.
Lula não se fez de rogado. Diante da sua criatura, que está a apenas 4 pontos de perder o privilégio de decidir a eleição no primeiro turno, uma vez que Aécio encosta cada vez mais.Essa conversa ocorreu bem antes dos episódios dessa semana e particularmente do Datafolha em que Marina Silva já ultrapassou o tucano em ponto.
Lula vivenciava um daqueles dias em que diz as verdades com palavras chãs na cara do freguês. Dilma estava mesmo disposta a manter uma conversa definitiva com aquele que muitos julgam estar jogando capciosamente com ela, ao incentivar o “Volta Lula”.
A presidente fixou logo de início sua impressão de si mesma:
– “Sou sua sucessora!” (Ou seja, leia-se: “Não sou mais o poste de 2010!”).
Como a dizer: “Não sou mais aquele “poste” da primeira eleição. Portanto, mereço respeito pelo que fiz,faço e poderei fazer mais ainda”.)
Afinal, foi ela que pediu a conversa para apelar a Lula por seu apoio cerrado e fechado, sem medidas capciosas, Deva-se dizer que Dilma jamais acreditou nas manobras sub-reptícias de Lula para fragilizá-la. Repele quem se aventura a abordá-la com esse tema.
Porém, as realidades são mais A economia faz água. A receita Mantega está dando errado e o ministro atingiu o fundo do poço, com confiabilidade zero como “czar” da equipe econômica.
Lula teceu uma análise fria sobre as deficiências de comando de Dilma nessa área. Sua mania de ser ministra da Fazenda de si mesma.
Passou para a seara política. Criticou cruamente a forma como a campanha de reeleição está sendo conduzida, desde a estratégia geral à temática e ao discurso. A distância a que Dilma mantém do PT e de sua direção nacional foi também lembrada. Por delicadeza, Lula não deve ter repisado uma velha suspeita que corre no partido de que Dilma é brizolista de coração,não petista.
Tudo foi jogado na mesa, afinal decidia-se ali o apoio de Lula para retirar Dilma de sua estação no inferno.
Lula foi com tudo. Repassou todas as dificuldades que a cercam.
Analisou o cenário regional e deu com o praticamente perdido o Sudeste: Minas, São Paulo e Rio. São 55% do eleitorado do país.
Indicou com derradeira chance de ganhar, apostar tudo no Nordeste, que garantiu a eleição dela em 2010. Lula não quer que Dilma foque sua campanha ali. Ele próprio vai cuidar disso: mergulhar nos grotões e sertões. Espera com isso compensar a perda do Sudeste. Tarefa de Dilma será enfurnar-se nas demais regiões para tentar obter o maior volume de votos sem Lula por perto.
Dilma seguia concordando com tudo. Não esquecer que ela solicitou a conversa.
Afinal cedeu, prometeu emprestar total apoio, mas impôs condições severíssimas. Bem mais caras (no sentido literal da palavra, de serem altamente dispendiosas para Dilma se reeleita) que as de 2010.
Em certo momento Lula deu o xeque-mate:
– Olha Dilma, eu te elegi em 2010. Se você não se reeleger nós dois perderemos já que não poderei me eleger em 2018. Nosso projeto estará liquidado. Temos que jogar tudo agora, nessa reeleição. Não devemos mais ligar para diferenças sobre modo de governar e fazer campanha.Tudo isso é secundário agora.
Dilma, concordando.
Senhor absoluto da situação, Lula ia pondo seu molho próprio na conversação. Foi quando largou o bote:
– Se tudo der certo, como vai dar e você se reeleger no primeiro turno vou ter uma participação ampla no governo para não deixar mais acontecer o que aconteceu na economia e na política.
Citou expressamente as áreas que receberão sua intervenção para que o governo não aderne até 2018, criando dificuldades para sua eleição.
E citou quais: toda a área econômica será polvilhada por nomes indicados por ele. Tudo em aberto, não nos bastidores. O consulado lulista cobrirá a Fazenda, o Planejamento, o Banco Central, os bancos oficias.
E Dilma? Aceitando, claro. Ela é que pediu a conversa.
Lula ainda fez um arremate ao seu estilo. Lembrou que se Dilma se reeleger, no atual estado da economia e do pessimismo do mercado, deverá ter muito cuidado com o PMDB.
Advertiu que nos primeiros anos de seu segundo mandato, se os indicadores da economia continuarem ruins, o PMDB, orquestrado por Michel Temer, poderá conspirar para desestabilizar seu governo.
Lembrou o que aconteceu com Collor. “O que derrubou Collor foi a economia não a política”.
Fez uma pausa e recordou o que fez José Alencar, seu vice, quando estourou o processo do mensalão: ficou neutro.
Dar toda a área econômica e os bancos a Lula não será um preço tão caro assim.Lula já não manda integralmente no BNDES?
Também não será uma conta salgada Dilma expelir do eventual segundo governo o secretário do Tesouro Arno Augustin – que Lula considera o fim da picada. Será um prêmio à disciplina dela.

Fonte: Carta Polis

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